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Devaneios
Loucuras, sonhos, quimeras, caprichos da imaginação...
Tentativa II

Na cabeça de uma mulher
há várias línguas
a falar confusas.
Ciclones infinitos
de ideias difusas.
Tentativas
Uma nova semana a iniciar e uma música de fundo diferente (Era-”Ameno”).
Novos desafios surgirão assim como outras formas de brincar com as palavras.
A estes devaneios chamarei de: “Tentativas de poesia”.

Tentativa I
Sonho em tinta
com coisa nenhuma.
Mas ao anoitecer,
inventarei
Um herói de versos.
Em mil anos que viva,
jamais esquecerei
os loucos e ousados beijos
que ao luar te darei.
Opções
Quantas vezes já nos deparámos com situações cuja ambiguidade nos deixa como tolos na ponte?
Quantas vezes deixámos opções por tomar com medo de arriscar?
O receio de serem mal sucedidos, de falharem, de sofrerem, de se sentirem sós, o medo do próprio medo faz com que muitas pessoas, ao longo de toda uma vida, cometam os mesmos erros, porque pura e simplesmente são incapazes de optar.
Mais vale uma má opção que escolha nenhuma!
Ciúme
Somos ciumentos! (ponto de exclamação)
Queremos ser únicos. (ponto final)
Mas, não será a exclusividade uma pretensão? (ponto de interrogação)
Servirão os ciúmes como estímulo? (mais um ponto de interrogação)
Não sei… (reticências que é o mesmo que dizer que estou cheia de dúvidas)
Conclusão: Receamos perder aquilo que é importante para nós.
Moral da “história”: Gostamos de ser apreciados, acarinhados e mimados!
(Convém dar um desconto. São as malditas campainhas. Os sinais de pontuação. As gramáticas. Os livros de ponto. E este ano lectivo que nunca mais chega ao fim que me estão a pôr assim!)
Aconchegos

Sentia-se cansada.
O corpo havia algum tempo que emitia sinais.
Ignorava-os.
A alma unia-se em grande cumplicidade.
Corpo e alma imploravam por alguns aconchegos.
O som da campainha. A última do dia.(malditas campainhas que a perseguem!)
Uma tarde livre.
O sofá esperava-a. Na companhia de um livro ou de um bloco de notas e ao som de uma música suave esperaria a chegada de Hipnos.
Morpheu viria também?
Que mais poderia uma mulher desejar?
(Talvez um simples mortal!)
O sofá continua lá, esperando por si.
O livro também. O bloco de notas fora trocado pelo teclado.
A música é a mesma e durante uma semana, até se cansar.
Deitar-se-á cedo. É uma promessa.
(Mais uma que não cumprirá!)
Inquietude

Inquiétude - pastel gras, gouache 40x30 1976
Coll. M. Zahnd - Nancy
Difícil de exprimir por palavras o que às vezes nos vai na alma.
Não sei se já foram todas inventadas ou se sou eu que as desconheço.
Não propriamente, dirão vocês.
Terão razão, pensarei eu.
Nesta inquietude que hoje me tomou de assalto senti falta delas. Das palavras.
Depois em pensamentos, invento diálogos.
Dos diálogos passo aos cenários.
Só as personagens são reais mas de gestos e expressões exacerbadas.
Desce o pano e o teatro acaba!
(Queria contar-te o que sinto mas não sei com que palavras…)
"Forever"
Quando me apaixono é para sempre!
Um mês para descortinar
o que está para além daquele olhar,
um ano para me impregnar de cheiros,
sabores e sentires
e os restantes…(?!?)
para constatar
que o amor é eterno enquanto dura!
Desafio
Em 24 de Abril lançava um desafio, um “duelo” de palavras, que foi aceite por uma amiga de longas e variadas caminhadas. Todas as semanas nos desafiamos com novos devaneios e pensamentos seguindo uma certa linha condutora. Para quem estiver interessado em espreitar, o “link” dela encontra-se na lista de Outros Devaneios (momentoempensamento). São diferentes formas de pensar e devanear. Terminada esta semana de pequenas frases, entraremos noutra de algumas considerações que dia a dia nos ocorrerão, conforme o estado de espírito e a disposição. Mais uma vez, Nat King Cole, como música de fundo, interpretando “When I fall in love”. A escolha da música não foi em vão, faz também ela parte deste desafio…Mas mais não direi para que algum mistério e suspense permaneça no ar…
When I fall in love
it will be forever
Or I'll never fall in love.
In a restless world
Like this is
Love is ended before it's begun
And too many moonlight kisses
seem to cool in the warmth of the sun
When I give my heart
It will be completely
Or I'll never give my heart
And the moment I can feel that
You feel that way too
Is when I fall in love
With you...
And the moment I can feel that
You feel that way too
Is when I fall in love
With you...
Sorriso
O sorriso ou a vida!
Dou-te os dois, a vida no meu sorriso!
Amor-perfeito
Amor-imperfeito
Amor-mais-que-perfeito
Amor-presente?
Eu fui…tu eras…nós fôramos…
Um amor de vários tempos e de múltiplas cores.
Será que ainda somos?
Emoção à flor da pele
Fico tão deslumbrada quando algo surge na minha vida, que me comporto tal como uma criança perante um brinquedo novo. Sinto o fascínio da descoberta em pequenos nadas e por muito efémeros que eles sejam, rio, emociono-me, choro…
Ilusão
Para bem da minha sanidade mental,
mantenho a ilusão de que tudo tem um propósito e faz
sentido.
Sonhos
Se um dia deixar de sonhar, acorda-me!
Com certeza estarei a viver um pesadelo!
Fascinação
Elis Regina

Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino, cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação amor…
composição de: F.D. Marchetti e M. de Ferandy
Encontros e desencontros

Neste desfilar de devaneios, produto dos encontros e desencontros com a imaginação e a infinita fascinação pelas palavras, perdura o sonho e a ilusão de um dia alcançar a inatingível perfeição.
Momento esotérico

A sorte estava lançada. Em gestos lentos e estudados dispôs as cartas formando três filas, representando o passado, presente e futuro. As velas e incenso criavam o cenário envolvente e misterioso propício à prática de tais leituras. Por que motivo insistia ela em me falar do meu passado? E do meu presente? Esses, conhecia eu sobejamente bem. O futuro? Bom, já que aqui estava, porque não? Seguiu-se a leitura e significado das cartas. Encontros, desencontros, solidão…Este futuro pareceu-lhe um filme repetido cuja personagem encarnava vários papéis. Para que queria ela saber do futuro? O que lhe interessava era o aqui e agora e esse saborearia até à exaustão.
Claustro

Quando os olhos dele encontraram os seus,
entoaram-se cânticos celestiais.
Embalados por esses sons,
dançaram em ritmos cadenciados.
A madrugada fora cúmplice
de tão repentina paixão.
E ainda hoje se conta
que lá no claustro do convento,
se ouvem os cânticos,
após as doze badaladas.
Fonte

Acordo do sono que me levou até aos recônditos caminhos do subconsciente.
Renovada mas sedenta de novas sensações, parto em busca da minha fonte de inspiração.
E como que num ritual, alimento-me do teu carinho, bebo das tuas palavras, observo os teus gestos e absorvo tudo em doses industriais.
Exausta mas saciada, volto ao mesmo lugar.
"Nonsense"
Tenho dias assim. Empurrada por forças ocultas e acometida de estranhos desejos, dou comigo deambulando por terrenos inóspitos de grande insensatez.
Desejos de um dia virar loura (que me desculpem as louras!) fazendo de conta que nada entendo (que jeito que isso me dava!), devorar todas as revistas “Maria” e afins, ao som “Dos dois amores” de Marco Paulo (mas também podia ser Júlio Iglésias que para o efeito tanto faz!) e vestir da forma mais bizarra possível. Tenho dias assim. Mas costuma passar depressa (sorte a minha!).
São meros devaneios.
Um raio de luz e alguma lucidez trazem-me de volta e repouso naquela clareira inventada por mim.
Nuvem passageira
Há uns dias, sentada numa esplanada, em frente à universidade onde decorreram cinco anos da minha vida, contemplava os estudantes que por mim passavam e senti algo que até então nunca experimentara: um frio e um desconforto inexplicáveis como se de repente tivesse sido para ali transportada e vários anos da minha vida tivessem decorrido, sem os ter vivido. Algo estranho e difícil de explicar em tão poucas palavras.
Obriguei-me a um certo esforço mental e pedaços da minha vida vaguearam por mim feitos nuvens.
Tranquilizei. Eu tinha vivido esses anos, desde então até agora. Os momentos estavam retidos na minha memória!
Fantasmas
Há locais aos quais não gosto de voltar ou porque me fazem recordar algo que teimo em esquecer ou tão somente porque os quero guardados na memória tal como os vi, como os vivi.
Nem sempre me tem sido possível esse afastamento e por vezes a própria vida se encarrega de me pregar algumas partidas.
O encanto criado esvai-se e o que parecia especial e único revela-se banal.
Por outro lado, os fantasmas despertam e voltam a atormentar-me. Tenho por hábito dialogar com eles na tentativa de os exorcizar. Tem-se revelado uma boa terapia embora não seja cem por cento eficaz. Depois, como que por magia, eles voltam a adormecer e eu deixo por algum tempo de falar sozinha!
Tentativa frustrada
Por sugestão de alguém hoje deveria falar de…Homens.
Ora estas coisas não se fazem por encomenda mas como não viro costas a um desafio e o tema é sempre actual e por demais interessante, vou tentar…
Para os mais intelectuais, sugiro que saltem este texto. Para os que procuram emoções fortes, sugiro o top 25 dos mais visitados.
Procuro as palavras para aqui escrever algo que não seja demasiado banal. O que escrever que já não seja sobejamente conhecido?
Pensei em dizer mal mas não me sinto suficientemente venenosa.
Fazer um discurso feminista mas não estou de todo para aí virada.
Encetar um chorrilho de lamúrias mas isso não faz de todo o meu género.
Não me ocorre nada senão algo que tenho sempre presente mesmo naqueles momentos em que odeio todos e um em particular.
Faz-me falta, não me imagino viver, sem aquele Abraço forte, que só um homem me sabe dar!
Brinde

Abro-te a porta de minha casa decorada em tons fortes e quentes e cumprimento-te com uma música acolhedora.
Ofereço-te palavras de uma vida já vivida e falo-te de sonhos ainda por concretizar.
Olhas-me com alguma complacência, outras vezes pressinto algum desagrado.
Aqui e além, com mais ou menos entusiasmo, deixas escapar algum comentário. Palavras sensatas as tuas que bebo com entusiasmo.
A visita é rápida e fugaz. Tens outros afazeres. Alguma outra visita por realizar.
Antes de partires, proponho um brinde.
Ergo o copo. À tua!
Declaração
Vivemos em constante busca de conhecimento.
Ansiamos por novidades.
Queremos estar a par das últimas notícias.
Procuramos também inovar.
Tentamos ser originais.
Desejamos ser diferentes!
Pois eu nada tenho de diferente hoje para vos oferecer.
Se é que alguma vez tive!
Nunca tive essa pretensão.
Mudem de “canal”!
Procurem noutro lugar.
Hoje não há histórias.
Nem versos a rimar.
Hoje, um qualquer dia, de um qualquer mês…
Declaro formalmente,
Que nada tenho para vos dar!
(A menos que aceitem o meu sorriso :) e um beijo virtual *)
Loucura
Estranha loucura que hoje me tomou de assalto.
Sem pré-aviso, sem qualquer indicação.
Se hoje escrevesse, as minhas palavras,
vestir-se-iam de tons fortes,
riscas e quadrados,
em obsessiva extravagância.
Mas hoje não escrevo.
Grito!
Para ti, Mãe.

Sempre nos entendemos melhor nos silêncios do que em palavras.
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