Devaneios

Loucuras, sonhos, quimeras, caprichos da imaginação...

janeiro 31, 2005

Gosto das tuas mãos

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Pegaste-me nas mãos, beijaste-as e ficaste a admirá-las.


- Gosto das tuas mãos.


Sorri.
O teu olhar costumava seguir cada gesto meu.
Raras vezes falavas, ficavas assim, contemplando-as como se
as quisesses levar no teu olhar…
Passei a mão pelos teus cabelos, fechaste os olhos e acariciei-
te o pescoço.


- Continua…


Em gestos suaves e lentos percorri o teu corpo, deixando em
cada um deles o sabor dos meus beijos e o cheiro da minha
pele…


- Não pares, a minha pele precisa da tua.


Sorri.
A minha mão agarrou o teu desejo e amámo-nos…


Devaneio escrito por: MWoman


MWoman @ 06:12 PM [ 20 comentários: comentar/ver ]

janeiro 30, 2005

e a sua boca foi deslizando...

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- Pára!


Ele ia levá-la a casa, como habitualmente fazia. Ela gostava
de ser conduzida, levada, esperada. E era com gosto que ele
o fazia.
Tinham ido jantar e depois ao teatro, ver uma peça recomen-
dada por amigos. Uma comédia sobre a vida, as relações, os
encontros e desencontros, os amores e ódios.
Gostavam muito de estar juntos, o prazer era mútuo,
partilhavam muitos gostos, em diversas áreas. E muito tinham
aprendido um sobre o outro assim.


- O que foi? - ele abrandava a velocidade. Estás a sentir-te
mal? Já não queres ir dormir a minha casa?
- Cala-te e pára o carro!


Ele encostou na berma, parou o carro e olhou-a, à espera. Ela
nada disse mais. Olhou-o e ele foi apanhado de surpresa por
aquele olhar que tão bem conhecia.
Ela puxou-o para si e beijou-o com intensidade. Os lábios
uniram-se, as línguas invadiram-se, o fogo consumia-os. E
aquele beijo era cada vez mais sôfrego.
Ela saiu do seu banco e sentou-se em cima dele. E continuava a
beijá-lo, mais e mais e mais... o beijo crescia!


Até que de repente, ela parou de beijá-lo e ficou a olhá-lo.
Ambos estavam cheios de desejo um pelo outro. Ela sorriu.
Começou a desapertar a camisa dele, botão a botão, e a sua
boca foi deslizando: as orelhas, o pescoço, o peito...
Mordiscava, lambia, dizia loucuras...


- Faz amor comigo! - sussurrou-lhe ao ouvido.
- Estamos no meio da cidade, dentro de um carro, na rua...
- Cala-te e não pares!


Devaneio escrito por: Vulcão


MWoman @ 06:03 PM [ 26 comentários: comentar/ver ]

janeiro 28, 2005

Perco-me nos teus cabelos…

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- Já te tinha dito que adoro o teu cabelo?
- Os teus olhos tinham-no revelado!
- Perco-me nos teus cabelos…
- Não queres antes perder-te por outros caminhos?
- Porque nunca levas nada a sério?
- Gosto de te provocar!
- Intimidas-me, sabias?
- A intenção é essa!
- És desconcertante!
- Eu sei.
- Fazemos tréguas?
- Iniciámos algum duelo?
- Cansas-me, sabias?
- 1,2,3,4… Levantas-te? Ganhei eu!
- Vou-me embora!
- Ainda estás aí?
- Corta o cabelo!!!
- Jamais! Passa as tuas mãos pelo meu cabelo como eu tanto
gosto…
- Doida!
- Sugeres algum tratamento?
- Gosto de ti assim!
- Eu sabia!


Devaneio escrito por: MWoman


MWoman @ 02:03 PM [ 32 comentários: comentar/ver ]

janeiro 27, 2005

Trabalho de casa concluído

Para que não nos acusem de quebrar “correntes”, aqui vão as
respostas ao questionário que começou sabe-se lá em que
“esquina” aqui da blogosfera… De seguida teremos que
escolher mais quatro vítimas…


1. Have you ever used toys or other things during
sex?


MWoman: “Toys”??? Isso é alguma coisa que se coma???!


Vulcão: Curiosos! A única "coisa" que revelo é a lingerie, com
a qual gosto de brincar: antes, durante e/ ou depois...


2. Would you consider using dildos or other sexual toys in
the future?
MWoman: Que raio de coisa é essa? Vou ali consultar o
dicionário e já volto com a resposta…Mas esperem deitados!


Vulcão: Futuro? Bola de cristal não tenho, mas gostava…
de ter, claro! Ter... a bola... de cristal! Mas era tê-la para
adivinhar o futuro!!! Ai, isto não está a correr muito
bem... :)


3. What is your kinkiest fantasy you have yet to
realize?
MWoman: Um dia ter um blog de Devaneios! O quê?!?
Já existe um?!? Esperem até eu descobrir de quem é que
logo vêem os estragos que lá irei fazer!!!


Vulcão: Esperem só um bocadinho que vou ali à lista das
fantasias por concretizar e já volto...


4. Who gave you this dildo?
Carla
myryam


5. Who are the ones to receive this dildo from you?
Maria Branco
MariaMar (que nos vai mandar devanear!)
jotakapa
saltapocinhas

Vulcão: Era "só" isto?! Ooooohhh e eu a pensar que seria
muito pior... ou melhor, obviamente, dependendo do
ponto de vista! :)


MWoman: Os genuínos, os verdadeiros, os autênticos
(ok, já chega?!?) devaneios, seguem dentro de
momentos…


Devaneio escrito por: MWoman e Vulcão


MWoman @ 10:05 PM [ 10 comentários: comentar/ver ]

janeiro 26, 2005

...brincar no umbigo dela

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- Ficava aqui para sempre, assim - disse-lhe ele.
- Não ficavas nada, cansavas-te.
- Nunca.
- Mais cedo do que julgas.
- E que sabes tu do meu tempo?
- Teu? Ou nosso?
- Amo-te. Chega?


Descansavam depois do amor feito. Ela com a cabeça pousada
na almofada, de umbigo para cima, a afagar-lhe o cabelo.
Ele deitado ao seu lado, o corpo apoiado no braço esquerdo e
com o indicador direito a brincar no umbigo dela.


- Quero-te tanto, sabes?
- Sei.
- Não deverias dizer "eu também"?
- Tu perguntaste se eu sabia, eu respondi-te.
- Estás a discutir comigo?
- Alguma vez o fiz?
- Há uma primeira vez para tudo.
- Esta não será essa vez.


Eles nús, no quarto adormecido, a partilhar os lençóis
amarrotados e molhados pelo suor de ambos.
As roupas espalhadas pelo chão. Aquele espelho enorme, que
tantos segredos calava, reflectia as suas imagens, que
pareciam uma.


- Adoro brincar com o teu umbigo que tanto me seduz. Sabes
que ficava a ver-te passar, só para olhar para ele?
Sonhava com o dia em que lhe tocaria assim como agora.
- Lembras-te da primeira vez que o fizeste?
- Não conseguiria esquecer.
- Tremias...
- De desejo...
- Vou dizer-te um segredo. Sabes como se chama a estes pêlos,
aqui, quem desce do umbigo, até ... ?
- Não.
- O caminho para o paraíso!


Riram-se e olharam-se. Ele parou a mão. Pousou a cabeça na
barriga dela.
- Mostra-me.
- Outra vez?
- Sempre!


_____________________________


A "nossa" Girassol acabou (ou talvez não...) e outros devaneios
se impunham. Não nos é possível parar de escrever!
Lembramo-nos de "coisas" com as quais todos vivemos e às
quais damos muita importância, apesar de ser intrínseco,
muitas das vezes. Outras não, e assumimos inteiramente e de
várias formas...o corpo humano, pois então!
E vamos, por isso mesmo, dedicar-nos a devaneios sobre partes
dos (nossos) corpos.
Esperamos que gostem e que nos acompanhem! E devaneiem
connosco...


Devaneio escrito por: Vulcão

Vulcao_Bahia @ 02:32 PM [ 31 comentários: comentar/ver ]

janeiro 24, 2005

Girassol (10ª e Última Parte)

(Continuação)


Quando Girassol abriu a porta, Gerânio não mentiu quando lhe
disse o lugar-comum mas que sempre agrada a uma mulher,
especialmente a alguém vaidosa e segura de si, como Girassol.
- Estás linda!
Girassol sorriu. Ele caíra na armadilha, tinha agora a certeza!
E o sorriso que tinha nos lábios vermelho-sangue era de
confiança. O seu plano daria certo, bastava mantê-lo até ao fim
e como tinha sido cuidadosamente elaborado. Não podia
desviar-se dele (do plano!), quaisquer que fossem as
distracções.


- Entra, estava à tua espera.
- São para ti. E combinam com o teu vestido maravilhoso e
tudo – sorria.
Estendeu-lhe um ramo de rosas (a prova que não a conhecia,
caso contrário saberia que ela detestava rosas).
- Obrigada, vou pô-las no vaso. Fica à vontade.
Quando ela regressou, encontrou-o na sala:
- Girassol, aquele episódio na loja de bombons está
esquecido?
- Claro que está (cruzava os dedos atrás das costas), aquilo
deve ter sido um mal-entendido, naturalmente.
- Bem, Girassol, na verdade, tenho uma confissão a fazer-te...


Mas foi interrompido por um barulho que vinha do interior da
casa.
- Está aqui mais alguém?
- Não! Deve ser o gato do vizinho...
- Não acredito!
Levantou-se num ápice e foi percorrendo divisão a divisão,
com Girassol atrás de si, aflita, a tentar desviar-lhe a atenção.
Até que, chegado a um quarto, o contíguo ao de Girassol,
encontrou um homem.


- Girassol, o que é que isto significa? Quem é este homem
aqui escondido? E que máquinas fotográficas são estas?
- Gerânio, não devias ter feito isso. Era um segredo... - estava
triste.
- Vá, explica-te! Que plano sórdido era o teu, para me atraíres
a tua casa esta noite?
- Não tenho outra saída, pois não?
- Não!
- Este é o “jotakapa”, um fotógrafo de renome internacional.
E sim, faz parte de um plano meu. Que é ainda segredo...
- Vais-me falar do teu creme de massagens e da campanha que
queres lançar?
- Mas... como é que sabes? Isso é segredo! Ou melhor era...
pelos vistos. - Gritava, furiosa.
- Ai, agora é que fiz asneira...
- A única pessoa que sabia disso era a Gerbera! Contei-lhe
antes do julgamento e ela traiu-me! Seu impostor, mentiroso!
E essa “outra” não perde por esperar! A vingança não vai
tardar!
- Tem calma...
- Calma? Tu vais ver a calma!
Foi ao quarto e quando regressava trazia na mão... um chicote!
- Rua! Já! Não te quero ver mais! Desaparece-me da frente!
Estou farta de G's na minha vida! RUA!!!
Gerânio nem pensou duas vezes e correu, batendo com a porta.
Mulher doida!


Girassol estava realmente furiosa, detestava traições!
E foi ainda de chicote na mão que regressou ao quarto onde o
fotógrafo estava, sem perceber nada do que se tinha passado
ali.
Girassol, com o chicote numa mão batia na outra, e olhava
aquele homem à sua frente... Hmmm...
Encostou-se à porta e, com um olhar cheio de malícia, disse:
- Agora nós, “jk”...


A noite estava a ser um sucesso. Aquilo sim, era um homem!
Era fantástico!!!
Girassol ainda hesitou, no início, mas logo foi buscar o seu
creme e fez-lhe uma massagem como só ela sabia fazer...
Na manhã seguinte, todos comentavam que um pequeno
abanão se sentira naquela zona...


Ele foi o fotógrafo da campanha, Girassol o rosto e o seu
creme um estrondoso sucesso mundial. O creme era vendido
directamente da sua fábrica, aonde acorriam mulheres de todos
os cantos do globo.


Até que um dia, o seu telemóvel tocou...


FIM


Devaneio escrito por: Vulcão


Vulcao_Bahia @ 12:58 PM [ 27 comentários: comentar/ver ]

janeiro 22, 2005

Girassol (9ª e Penúltima Parte)

(Continuação)


Agora mais calma e confiante Girassol vê chegada a hora de
se dedicar de pétalas e coração à campanha publicitária e
finalmente lançar no mercado o seu creme de massagem
afrodisíaco.
Já tinha tudo pensado. Só precisaria de um bom fotógrafo. E
de confiança também!
Desejava algo diferente. Bem real e espontâneo! Gerânio seria
óptimo para a concretização do seu plano e ao mesmo tempo
dar-lhe-ia uma boa lição. Não perdia por esperar. Palavra de
Girassol!


“ Hum, Gerbera iria sofrer uma grande desilusão. Mas antes
agora que mais tarde!” – Pensava ela com as suas pétalas.
- Tempo de agir, Girassol! – Gritou ela para o seu caule.


Pegou num papel perfumado com a sua fragrância de eleição,
“Sunflower”, e desenhou as seguintes palavras: "Sexta-feira
em minha casa com direito a jantar e massagem. A
sobremesa fica por tua conta. Aceitas o desafio?"


“Agora Girassol só falta o fotógrafo…Humm…Como não me
lembrei logo dele? Precisamos de conversar” – Meditava ela
enquanto percorria a sua lista de contactos.


O dia G chegara finalmente! Girassol girava em todas as
direcções e ultimava os preparativos para aquele encontro.
As velas dispostas em locais especiais, a casa perfumada com
uma fragrância suave mas sensual e a sua “flor” preferida em
lugar de destaque. Nada poderia falhar. Este encontro seria
único e ficaria registado para a posteridade!


Triiimm… Era Gerânio!


Girassol dirigiu um último olhar à sua imagem reflectida no
espelho. Estava satisfeita com o que via. O vestido vermelho
carmim contrastava com a sua pele bronzeada e acentuava-lhe
as formas e o porte majestoso.
Num passo firme e insinuante dirigiu-se à porta.


- Boa noite, Gerânio!


(Continua)


Devaneio escrito por: MWoman


MWoman @ 07:08 PM [ 30 comentários: comentar/ver ]

janeiro 21, 2005

Girassol (8ª Parte)

(continuação)


Girassol desligava o telefone depois de breves minutos,
quando Papoila irrompe gabinete dentro.
- O que foi agora?! - grita Girassol
- Dª Girassol, está aqui um oficial de justiça para falar
consigo.
- Só me faltava mais esta agora. Mande entrar! - diz,
rispidamente.
O oficial entrega-lhe uma intimação e Girassol pede para ficar
sozinha a ler.


“... é acusada de um dos maiores e mais graves crimes da
humanidade: traição à pátria.
Fazer sonhar a população inteira de forma incontrolável
deixará de ser possível e é punível com uma pena de ..."


Girassol não leu mais e pousou o papel na secretária. A
solução estava a caminho. Aguardaria pacientemente.


Welwitschia (planta carnívora) mandou arrumar as malas e
aprontar o seu jacto particular. Queria chegar à Fábrica
Ecológica da Girassol ainda de dia, com "Sol".
E assim foi.


- Chegaste, finalmente! - dizia Girassol ao mesmo tempo que
sorria e abria os braços na sua direcção, como quem oferece
um abraço enorme e caloroso.
- Então, o que há de tão urgente? - perguntou Welwitschia ,
enquanto “partilhava” o abraço de que tinha tantas saudades.
- Lê (estendendo-lhe os papeis que tinha na mão), primeiro o
relatório e depois isto que acabou de chegar.


Ele leu e depois disse-lhe:
- Lá estaremos, no dia do julgamento (naquele país a justiça
era ultra-rápida! ). Mas explica-me...
- Não te preocupes, está ganho.
- Como podes ter tantas certezas?
- Confia em mim! - os olhos de Girassol espelhavam
certezas.


No dia marcado, chegaram ao tribunal ambos confiantes, mas
a Acusação parecia ainda mais que eles.
Eis senão quando, quando já ninguém esperava, a defesa
chama uma nova testemunha.
Todos se interrogavam:
-Quem será?
- “Sei lá”.


Papoila entrou na sala de audiências e sentou-se no banco das
testemunhas, causando um enorme burburinho.
Welwitschia começou a falar:
- Meritíssimo Juiz, esta testemunha permitirá à minha cliente
provar que as acusações de que está a ser alvo são falsas. Se o
sonho não estiver já dentro das pessoas que tomam as
Pastilhas de Sonho, elas não produzem qualquer efeito.
Vamos fazer a experiência.


O silêncio era sepulcral.
Papoila tomou duas Pastilhas e todos esperaram para ver o
resultado. Esperaram... esperaram... esperaram...
Horas se passaram e nada aconteceu.
O juíz não teve outro remédio senão absolver Girassol de
todas as acusações. Quando a sessão terminou, ela abandonou
o recinto com um sorriso de vitória no rosto.


- Como conseguiste? Sei que as Pastilhas fazem mesmo
efeito!
- Welwitschia, a Papoila é minha secretária há anos. Conheço-
-a muito bem e sei tudo sobre ela. Poderia ter tomado quantas
Pastilhas de Sonho fosse que nunca surtiriam efeito! Ela tem
uma enzima rara (ou nem tanto?) no sangue que a torna imune
à felicidade. Eu não te disse para confiares em mim?
- Girassol, que golpe de génio esse! Nem eu me lembraria de
tal coisa!
- Meu caro, já dizia Mae West, "quando sou boa, sou boa ;
quando sou má, sou muito melhor!"


(continua)

Devaneio escrito por: Vulcão


Vulcao_Bahia @ 06:02 PM [ 25 comentários: comentar/ver ]

janeiro 20, 2005

Girassol (7ª Parte)

(continuação)


- Gerbera? Que Gerbera? Não conheço nenhuma! – Balbuciou
Gerânio.
- Não te faças de parvo!
- Comprei estes bombons para a minha irmã que faz hoje anos!
–Exclamou Gerânio agora já mais seguro. Mas, o que fazes tu
por aqui, minha doce Girassol? Meu sonho de pastilha?


De repente, Girassol lembra-se do telefonema urgente de
Papoila e embora “inconformada” e pouco convencida com
aqueles argumentos, resolve partir deixando Gerânio atónito
de caixa de bombons na mão.


“Mas será que aconteceu alguma coisa com as pastilhas de
sonho? Logo agora que estou prestes a lançar no mercado a
maior bomba de todos os tempos?” – pensava Girassol enquan-
to se dirigia à Fábrica Ecológica.


Papoila, sua secretária há já alguns anos, esperava-a.
Estava branca como a cal e tremiam-lhe as pétalas quando lhe
entregou um relatório acabado de chegar. As Pastilhas de sonho
tinham sido retiradas do mercado. Segundo estudos recentes,
os efeitos secundários tinham sido considerados muito perigo-
sos para a saúde pública. As pessoas revelavam uma euforia
contagiante e sonhavam acordadas!


Girassol nem queria acreditar no que acabara de ler. Ora se
sentava, ora se levantava em movimentos estranhos, tal qual
uma “salta-pocinhas”.
“Calma, Girassol, mantém-te calma. Tudo tem solução!
Não te esqueças que continuas com um trunfo na manga,
“novos voos” se avizinham” – pensava ela com as suas
sementes.


Pegou no telemóvel e digitou um número.
- Vem até à Fábrica! Preciso de ti aqui, é muito urgente!


(continua)


Devaneio escrito por: MWoman


MWoman @ 10:29 PM [ 15 comentários: comentar/ver ]

janeiro 19, 2005

Girassol (6ª Parte)

(continuação)


Girassol conduzia maquinalmente, o seu “pensamento”
no momento estava todo em Gerânio. Homem nenhum a tinha
feito perder o sono como ele, até àquela altura. E ele estava a
fazê-lo e como...
Quando finalmente percebeu o telemóvel a tocar, encostou o
carro na berma para atender.


Papoila gritava e Girassol nem prestava atenção.
- Girassol? Está aí? Ouve-me? Venha depressa para a fábrica
porque…
- Papoila, agora não! Qualquer que seja o fogo, vai ter que
esperar. Não quero ser incomodada e não admito que me
contrarie. Adeus!
E ao dizê-lo, desligou sem esperar pela resposta. E para preve-
nir qualquer outra interrupção, desligou o telemóvel. Aquela
tarde e depois a noite seriam dela!


Quando estava quase a chegar ao local combinado, passou por
uma loja de doces afrodisíacos. Parou e pensou que seria uma
boa ideia fazer-lhe uma surpresa. Se bem pensou, melhor o
fez.
Até já sabia o que comprar...


Entrou distraída na loja, sem sequer reparar no anúncio
“atrás da porta”, e foi buscar um saquinho de grãos de
café com chocolate.
Ambos gostavam muito de café!
Quando se dirigia para a caixa para pagar, reconheceu aquele
homem, de costas.
- Gerânio???
Ele virou-se, com cara de quem apanhou um susto de morte! E
agora? - pensou. Ainda tentou esconder o que tinha nas mãos
mas não conseguiu. Girassol era rápida no "gatilho".


- Que caixa de bombons é essa? - dizia, enquanto lha arrancou
das mãos.
- É ... - Gerânio balbuciou.
- Bombons de anis? Só conheço uma pessoa no mundo que
goste deste sabor e que inclusive usa perfume com esta
essência, que eu odeio: a Gerbera! Como é que me explicas
isto, de onde é que a conheces?! E não me tomes por burra,
quero uma explicação válida e é já!


(continua)


Devaneio escrito por: Vulcão


Vulcao_Bahia @ 05:28 PM [ 23 comentários: comentar/ver ]

janeiro 18, 2005

Girassol (5ª Parte)

(continuação)


Gerbera não só não desmaiou como recuperou em três tempos
a sua melhor cor.
Aquele creme era fantástico. Como podia ela ter-lhe escondido
semelhante “bomba”?!
"Gerberazinha, o tempo que tu andaste a perder!" – pensava
ela enquanto se dirigia àquela esplanada voltada para o mar.
"E não é só ela que tem segredos, ah pois não! "– congeminava
Gerbera de sorriso nos lábios.


Gerânio esperava-a naquela mesa onde se sentaram pela
primeira vez. Só se conheciam há uma semana mas ela já sabia
ser este o homem da sua vida. Girassol ainda não sabia da sua
existência e nem convinha. Tinha de sentir-se segura e
Girassol era um perigo! Ainda mais agora com aquele creme.


Girassol entra no seu carro desportivo (ah pois é!) e assim que
percorre os primeiros metros começa a ouvir aquela música…
“ Ah sementezinha, agora é vão ser elas! Onde esteve aquele
“vaso” todo este tempo?” – os pensamentos de Girassol
transportavam-na para bem longe dali. Fazia uma semana que
o conhecera. Simpático, bonito, alegre e bom conversador.
"Qual seria o defeito?" – questionava-se ela – "Hum, já me
estou a imaginar num jantar “à luz de uma vela” e para
rematar uma deliciooosa sobremesa …Desta vez não usarei o
creme senão ele nunca mais vai querer outra coisa! O nome
dele também me agrada: Gerânio. Combina com o meu!"


Os devaneios são interrompidos pelo toque estridente do
telemóvel.
- Olá, “Papoila”,alguma novidade?
- Muitas! Venha depressa! Preciso de si aqui, com urgência…


(continua)


Devaneio escrito por: MWoman

MWoman @ 07:50 PM [ 23 comentários: comentar/ver ]

janeiro 17, 2005

Girassol (4ª Parte)

(continuação)


- Fala de uma vez! Estás a deixar-me aflita e a sofrer de
curiosidade com tanto mistério! - Gerbera quase gritava.


Girassol sorriu.
A “cumplicidade” que tinha com a sua amiga de longa data
permitir-lhe-ia confiar nela sem hesitações.


- Pois bem, senta-te. O que tenho para te contar é delicado e
acima de tudo, muito sigiloso.
- Queres matar-me de curiosidade? Desembucha!
- Vou revolucionar a vida desta fábrica. Estou farta de viver à
custa das "Pastilhas de Sonho". A rotina instalou-se há demasia-
do tempo dentro destas paredes. Mas só dentro delas! E aqui
vem o segredo que tenho para te contar: vou proporcionar ao
mundo a possibilidade de, além de sonhar, que já acontece
graças a mim, se permitirem desfrutar do prazer sem limites!
- Mas de que falas tu, mulher? Ainda não percebi nada do que
disseste!


Girassol reclinou-se na sua cadeira.


- Lembras-te do Acipreste?
- Claro que me lembro! Largaste-o à porta da igreja!
- E nunca ninguém soube porquê, não é? Eu conto-te agora.


Gerbera olhava a sua amiga, incrédula. Que segredo cabeludo
viria aí?


- Descobri a fórmula de um creme que desperta desejos loucos
e devaneios intensos a quem o usar. Isso aconteceu há muitos
anos atrás. Por agora não te revelo a fórmula. Descobri-o eu
própria, por mero acaso e usei-o nas minhas noites de solidão.
Mais tarde, quando conheci o Acipreste, uma noite, para
“apimentar” a nossa relação, já de si quente, usei o meu
creme para lhe fazer uma massagem. Ele gostou tanto que,
desde então, sempre que estávamos juntos, em momentos
íntimos, pedia-me para lhe fazer uma massagem e usar o
creme. Eu gostava muito dele e só percebi que ele estava
dependente dos efeitos quando era quase tarde demais. Não
me casei porque queria um homem que me amasse e não que
fosse viciado... num creme de massagem!
Percebes?


Gerbera estava pálida! Iria desmaiar com aquela revelação?


(continua)


Devaneio escrito por: Vulcão


Vulcao_Bahia @ 04:18 PM [ 19 comentários: comentar/ver ]

janeiro 15, 2005

Girassol (3ª Parte)

(continuação)


(Já imaginava até) ser ela própria a imagem para a campanha
publicitária.
Aquele creme de massagem já há muito revolucionara a sua
vida. Jamais o dera a conhecer. Nem mesmo a Gerbera, sua
melhor amiga e seu braço direito na Fábrica Ecológica.


Ainda muito nova descobrira que as sementes do girassol, sua
flor preferida, adicionadas ao creme de corpo que toda a vida
sua mãe usara, desencadeava em si e nos outros apetites
libidinosos incontroláveis.
Todas as vezes que recorrera à massagem com o dito creme,
foram noites marcadas a caneta vermelha na sua memória.


- Ai – suspirava Girassol quando Gerbera entra porta adentro
de rompante.
- O que tens, mulher, primeiro gritas e agora suspiras!?!


Gerbera era uma bonita “ mulher”(outra flor!) mas um
pouco frágil. Desde sempre se apoiara em Girassol e se
alimentara da sua força e do seu brilho.


- Tenho um segredo para te revelar! – anunciou Girassol em
tom muito grave.
Gerbera mudara de cor (tinha muitas “cores”, a Gerbera,
cerca de vinte tonalidades!).
Conhecia aquele tom de “voz”


(continua)


_________________________


Nota: Os "links" que têm vindo a aparecer nesta "estória"
nada têm a ver com ela. É apenas uma maneira de fazermos
referência, de uma forma aleatória, a alguns blogs de que
gostamos.


Devaneio escrito por: MWoman


MWoman @ 11:28 PM [ 24 comentários: comentar/ver ]

janeiro 13, 2005

Girassol (2ª Parte)

(continuação)


...grita inesperadamente "eureka!!!", que é como quem diz em
português "mas porque é que não me lembrei disto antes?!"


O dia nascera nublado, com o Sol, astro-rei e imperador da sua
vida, a querer espreitar timidamente a vida e a contagiar com
os seus raios as pessoas, tantas vezes deprimidas, chateadas
e aborrecidas.
Girassol acordara bem-disposta - aquele não seria um dia a
“ Branco e Preto” - e quando chegou à sua fábrica,
tinha o pressentimento (era mulher dada a essas coisas) que o
dia seria proveitoso. Mas ainda não imaginava o quanto!


Todos acorreram ao grito, cheios de curiosidade, mas ela pediu
para ficar só. Queria pensar e amadurecer a sua ideia, acabada
de despontar, qual flor na primavera.


Girassol, além de mulher muito apetecida fisicamente (fazia
parar o trânsito já de si tão congestionado, quando percorria
a pé as ruas da cidade em busca de imaginação), era também
inteligente e criativa, atributos que tinham contribuído em
muito para o enorme sucesso da sua fábrica ecológica.


O seu maior sucesso eram as "Pastilhas de Sonho", um artigo
único e muito procurado no mercado. Todos queriam sonhar e
tentar esquecer as suas vidas cinzentas, o seu dia-a-dia rotinei-
ro. E conseguiam, graças àquelas pílulas maravilhosas, que
descobrira há uns anos atrás.
Tivera entretanto outras boas ideias, mas nenhuma fizera tanto
furor como aquela.
Mas agora... sim, aquela era uma ideia fabulástica!!! De génio
mesmo, pensava com o fecho éclair da sua mini-saia.


"Compre as Pastilhas de Sonho e ganhe uma Massagem do
Amor"


Seria aquele o slogan da campanha publicitária. Já imaginava
até...


(continua)


Devaneio escrito por: Vulcão

Vulcao_Bahia @ 04:39 PM [ 34 comentários: comentar/ver ]

janeiro 11, 2005

Girassol (1ª Parte)

No ano de dois mil e troca o passo vivia Girassol, cujo nome
causara espanto no seio de sua família e arredores mas que
mais tarde, ironia do destino ou talvez não, assentara-lhe que
nem uma luva.
Exuberante na aparência e no trato, Girassol era também
mulher detentora de uma personalidade forte, fazendo assim
jus ao nome que um dia sua mãe, num momento de devaneio,
lhe dera.
Girassol tinha brilho próprio, ainda ninguém descobrira se era
ela que girava em torno do sol se era ele que fazia a sua
rotação voltado para ela (parece a mesma coisa mas não é!).
Este e outros mistérios da natureza ficarão para outras
narrações posteriores.
Girassol, e como qualquer estrela que se preze, tinha muitos
“planetas” girando em torno de si, alimentando-se do seu brilho
e da sua luz (já para não falar do calor!).
As suas características físicas faziam dela uma flor de dimen-
sões médias que contudo crescia devido ao seu esplendor e
luminosidade.
Um belo dia (há sempre um na vida de qualquer girassol)...
(Continua)


_______________________


Mais uma volta, mais uma viagem ao mundo dos nossos
devaneios. Desta vez, mais uma história centrada numa figura
feminina (como não podia deixar de ser!) para deleite de uns,
indiferença de outros e bocejos de uns quantos!
As palavras estão lançadas, quem quiser que as agarre (a
Vulcão não terá outro remédio!).


[Quem por certo achará alguma piada a este devaneio é
capaz de ser a “trinta” que tal como eu adora girassóis
(os verdadeiros, entenda-se!)]


Devaneio escrito por: MWoman


MWoman @ 09:30 PM [ 32 comentários: comentar/ver ]

janeiro 10, 2005

Olhares cúmplices

Gosto do teu olhar. Dos teus olhos castanhos, doces, intensos,
ternos, quentes.
Gosto, quando ao passar por ti, me esforço por te ignorar e
sinto o calor desses olhos em mim.
Gosto de chegar onde estás e procurar o teu olhar no meio da
multidão. É a primeira coisa que faço e não sabes!
Gosto de descobrir os teus olhos no meio de tantos e reconhe-
cê-los imediatamente.
Gosto quando falamos, sem uma palavra, só com a expressão
dos olhos e os sorrisos na boca.
Gosto quando me sorris com o olhar.
Gosto quando chamas por mim, sem mexer os lábios, mas os
teus olhos gritam o meu nome.


Gosto quando olhamos fixamente um para o outro e nos
convidamos.
Adoro quando me despes com o olhar, me deixas corada por
te saber assim. Quando me cercas com o teu olhar e me
desejas. Desejas-me tanto que quase nem sei responder.
Será preciso ou vês nos meus olhos a resposta?
Adoro quando me deixas nua e ficas a olhar a minha pele com
esses teus olhos, sedentos de mim.
Adoro o amor, reflectido no teu olhar, em mim.


[qualquer semelhança entre a realidade e a ficção (não) é
mera coincidência]


Devaneio escrito por: Vulcão


Vulcao_Bahia @ 10:53 AM [ 34 comentários: comentar/ver ]

janeiro 08, 2005

Olhar de desejo

“A noite é nossa – sussurraste-me – espero por ti!”
Tremi de desejo e evitei o teu olhar. Vi-te desaparecer e
esperei.
“Espero que goste da surpresa” – pensei enquanto te
afastavas.


(...)

A água da torneira corria. Entrei.
Esperavas por mim naquele ambiente de magia imaginado
por mim.
Com gestos lânguidos despi a saia. Tu olhavas-me. A cada
movimento meu um novo pestanejar.
O aroma das velas e a cadência daquela música entonteciam-
-me. Puxaste-me para ti. Com movimentos lentos acariciaste-
-me os seios, a barriga...A água quente no meu corpo, o calor
das tuas mãos e o desejo no teu olhar transportavam-me para
outras galáxias.
Procurei a tua boca e beijámo-nos com sofreguidão…


__________________________


Sábado à noite. Devaneiem, com ou sem velas e olhares de
desejo e paixão!
A noite é vossa!


Devaneio escrito por: MWoman

MWoman @ 10:29 PM [ 33 comentários: comentar/ver ]

janeiro 07, 2005

Novos olhares

Os meus olhos saltitam de arco-íris em arco-íris,
alimentando-se de infinitas tonalidades.


Mas, por vezes, cansados e desapontados ausentam-se
da cor e embarcam noutras viagens, perscrutando novas
nuvens e ansiando por novos olhares.


Devaneio escrito por: MWoman


MWoman @ 10:14 PM [ 18 comentários: comentar/ver ]

janeiro 06, 2005

Olhar cor da paixão

Quando acordou era ainda noite. A luz da mesa de cabeceira
estava acesa, numa tonalidade que dava o ar de intimidade.
Abriu os olhos e viu-o lá, sentado no cadeirão. A olhá-la!
Sorriu-lhe e ele sorriu-lhe. Ficaram, por breves momentos,
envolvidos num sorriso só.
Ela sabia que ele gostava de ficar assim, a vê-la adormecer,
depois do amor. Mas naquela noite a cor do seu olhar estava
diferente das outras vezes.


Assim que entraram em casa agarrou-a e à medida que a
levava para o quarto, ia tirando a sua roupa, entre beijos.
Parou à entrada do quarto, encostou-a à parede e ficou a
olhá-la.
De cor vermelha, como ele gostava! Tirou ela própria a
lingerie, ali mesmo. Ele ficou em brasa.
Percorreu-lhe o corpo com as mãos. Ajoelhou-se e a sua
língua brincou com o umbigo dela. Agarrou-lhe os cabelos,
puxou-lhos, fê-lo olhá-la nos olhos. Era notório o desejo que
os envolvia.


Levantou-se e ela puxou-o até à cama. Ficou em cima dele e
os seus olhos diziam o que a sua boca teimava em calar :
"faz-me tua, outra vez!".


E ele fez, com a intensidade que se alimenta da loucura. Um
pelo outro.


Ela adormeceu porque sabia que ele estava lá, com ela. E
porque eram um.


Devaneio escrito por: Vulcão


Vulcao_Bahia @ 04:45 PM [ 31 comentários: comentar/ver ]

janeiro 05, 2005

Olhares fugidios

Quando te conheci foram os nossos olhos que falaram,
entre olhares fugidios e gargalhadas assustadas.
Quando te revi foram os nossos olhos que se amaram.
Cor indefinida e misteriosa têm os teus olhos.
São como a tua alma!


Devaneio escrito por: MWoman


MWoman @ 07:30 PM [ 30 comentários: comentar/ver ]

janeiro 04, 2005

Brilho no olhar

Gosto de olhares e da vida que encerram, do que me
transmitem. Gosto de tentar perceber o que vai dentro da
pessoa pelo seu olhar. Gosto de olhares límpidos, cristalinos,
de gente que se entrega, olhares que não escondem nem
têm medo ou pudor de o fazer.


Isto a propósito do prazer que tenho em ver alguém
desembrulhar um presente que eu ofereci e lhe perceber um
brilho no olhar!


Não tem "obrigada" ou um beijo que supere um olhar cheio
de luz, naquele momento. Constatar que foi uma escolha
acertada! Às vezes nem se oferece aquilo que se quer, mas
verificar que se acertou, é "tudo de bom".
E querer dar mais e mais...


A frase (batida) "os olhos são o espelho da alma" faz todo o
sentido na minha vida.
Não suporto quem não me olha de frente, porque é assim
que gosto de encarar os outros... e a vida!


E então, por isso mesmo, os olhos são mesmo o espelho
reflector da imagem do que vai cá dentro. Quem me
conhece sabe que é verdade. Não só pelos meus olhos, mas
também neles, é perceptível o estado da minha "nação".


Há coisas que não mudo, por mais que tente, e esta é uma
delas.


Os olhares encantam-me, seduzem-me, aprisionam-me!


Devaneio escrito por: Vulcão


Vulcao_Bahia @ 03:39 PM [ 32 comentários: comentar/ver ]

janeiro 02, 2005

Um primeiro olhar...

Cinco e meia da madrugada do dia 1 de Janeiro e acorda
sobressaltada. Nem duas horas tinham passado desde que
adormecera e não tem sono! Vira para um lado, vira para
outro. Sente-se inquieta, nem sabe bem porquê. Vocifera
palavras sem nexo, roga pragas ao próprio diabo e nada!
De repente, vindas sabe-se lá de onde e porquê, umas estúpi-
das dumas lágrimas insistem em correr-lhe pela cara. São as
hormonas, pensa ela, são sempre uma bela de uma desculpa.
Ou então esta coisa de começar um novo ano. Não liga nenhu-
ma mas à força de tanto ouvir falar, convém não descurar.
Se calhar foi por isso. Não lhe deu a devida importância. Fez
um brinde com caipirinha, deveria ter sido com champanhe
francês? E mais nada. Este ano deu por extinta essa tradição
das doze passas. Nunca lhe achou piada e detesta comer tanta
passa de uma vez!


Volta a olhar para o relógio. Seis e meia. Decididamente não
está a gostar disto! Os olhos continuam molhados e por entre
lágrimas e suspiros (não é o filme do Bergman, não!) passa em
revista alguns momentos deste ano. Foram "giros", como diria
uma amiga sua! Pois…"giros", palavra que parece não querer
dizer coisa nenhuma, mas só para quem não tem imaginação!
As lágrimas já secaram e a ironia já voltou. Se não fosse tão
tarde pegaria no telefone e agora por entre disparates e
devaneios, poria a “escrita” em dia.


Cantigas de amigo ou de amor, de escárnio e maldizer, há de
tudo um pouco na sua vida.
Definitivamente, o saldo é positivo.


Acende a luz. Lança um olhar à sua volta. Tudo no sítio. O
barulho fora mesmo o seu estômago a reclamar de tantas horas
de inquietação.
Levanta-se e vai direita à cozinha.


___________________________


Lançam-se olhares para começo de ano, reais ou metafóri-
cos mas é deles que nestes próximos dias vamos falar, é sobre
eles que o nosso olhar vai incidir!


Devaneio escrito por: MWoman


MWoman @ 08:39 PM [ 34 comentários: comentar/ver ]

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